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Fed indica possível corte de juros em setembro apesar de inflação acima da meta

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WASHINGTON (EUA) – O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta sexta-feira (27) que o banco central norte-americano pode reduzir a taxa básica de juros na próxima reunião, marcada para 17 de setembro. A sinalização, feita durante o tradicional simpósio de Jackson Hole, derrubou o dólar no exterior e no Brasil, impulsionou as bolsas de Nova York e levou o Ibovespa a avançar 2,57%.

Powell destacou que a política monetária já se encontra em território “restritivo” e que a alteração recente no balanço de riscos justifica a discussão de um ajuste. A inflação acumulada em 12 meses está em 2,6%, acima da meta de 2%, enquanto o desemprego subiu para 4,2% em junho — o dado de julho será divulgado na próxima semana. A taxa dos Fed Funds permanece entre 4,25% e 4,50%, o nível mais alto em mais de duas décadas.

Mercado de trabalho preocupa mais que a inflação

Para o dirigente, a desaceleração simultânea de oferta e demanda por mão de obra cria um “equilíbrio curioso” que pode rapidamente se transformar em demissões em massa. “Os riscos de queda no emprego estão aumentando e podem se materializar de forma brusca”, declarou.

Sobre a inflação, Powell pediu cautela ao avaliar o impacto do tarifaço implementado pelo ex-presidente Donald Trump. Segundo ele, os custos mais altos já aparecem nos preços ao consumidor, mas tendem a ser temporários. Ainda assim, admitiu a possibilidade de pressões mais duradouras que exigiriam monitoramento constante.


Divergências internas e pressão política

Nas semanas que antecederam o evento, dois diretores do Fed haviam indicado que um corte em setembro não era garantido, após o índice de preços no atacado de julho registrar a maior alta em três anos. A divergência interna se soma à pressão do ex-presidente Trump, que exige redução imediata dos juros e chegou a ameaçar uma diretora da autarquia.

“Quando nossos objetivos estão em tensão, nossa estrutura exige equilibrar ambos os lados do duplo mandato”, lembrou Powell, referindo-se à obrigação legal de promover estabilidade de preços e pleno emprego.

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Imagem: infomoney.com.br

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Reação dos mercados

Em Nova York, o Dow Jones fechou em alta de 1,89%, a 45.631,74 pontos, renovando máxima de encerramento no ano. O S&P 500 avançou 1,52% e o Nasdaq ganhou 1,88%. No câmbio, o dólar recuou 0,95% no mercado brasileiro, enquanto os juros futuros domésticos também caíram.

Analistas ouvidos pelos mercados reforçaram que a fragilidade do mercado de trabalho passou a ter peso maior que o risco inflacionário nas decisões do Fed. “A fraqueza do mercado de trabalho parece ter superado o risco de inflação”, resumiu Ellen Zentner, economista do Morgan Stanley. Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a perspectiva de cortes nos EUA reduz a atratividade da renda fixa americana de curto prazo, favorecendo ativos de risco e o real.

Se confirmado, o corte de 0,25 ponto percentual em setembro será o primeiro desde dezembro de 2024, marcando o início de um eventual ciclo de flexibilização monetária após mais de dois anos de aperto.

Com informações de InfoMoney

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