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Londres – O crescimento da presença feminina nos games e nas transmissões ao vivo ganha novos contornos com a trajetória de Alyce Rocha, conhecida na internet como Alyska. Aos 27 anos, a criadora de conteúdo soma 585 mil seguidores em plataformas como Twitch e YouTube e faz da jogatina o seu trabalho em tempo integral.
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ToggleRotina intensa atrás das câmeras
Até pouco tempo, Alyska chegava a transmitir 12 horas por dia. Recentemente reduziu para seis horas de live, mas continua dedicada: as manhãs são reservadas a tarefas administrativas e a publicação de conteúdo em múltiplas redes. A maratona diária é necessária para garantir parte da renda proveniente de assinaturas pagas, publicidade e parcerias – valores que também sofrem descontos de até 50% em serviços como o Twitch.
Mesmo sendo um nome considerado de médio porte no segmento, Alyska descreve o rendimento como “respeitável”, reflexo de um mercado que, só no Reino Unido, deve faturar 13,7 bilhões de libras em 2024. O segmento específico de streaming já movimenta cerca de 400 milhões de libras no país.
Metade dos jogadores já são mulheres
Dados do UK Games Industry Census indicam que as mulheres representam perto de 50% do público que joga videogame. Apesar disso, a audiência de transmissões ainda é majoritariamente masculina, de acordo com a consultoria YouGov. No canal de Alyska, por exemplo, a presença feminina passou de insignificante para 10% nos últimos anos – avanço que ela considera “pequeno, mas significativo”.
A streamer afirma que parte de sua missão é exibir o amplo leque de interesses das jogadoras. “Estatísticas apontam que mulheres preferem puzzles e simuladores de vida, mas muitas de nós também adoram RPGs de ação e jogos de aventura”, explica. Ela própria passou a jogar títulos de terror após notar a empolgação do público em vê-la reagir a sustos.
Mais personagens e histórias plurais
O setor também observa mudanças dentro dos próprios jogos. Fraudes sexualizadas do passado dão lugar a personagens femininas complexas, caso de Ellie em The Last of Us, escrito em parte por Halley Gross. Produções como Life is Strange e Rage and Bloom abordam temas ligados à adolescência, sexualidade e imagem corporal, ampliando a representatividade.
Para a apresentadora de eSports Frankie Ward, a transformação passa pela forma como as grandes marcas divulgam seus produtos. “Durante muito tempo, o universo gamer foi tratado como um território a ser protegido pelos homens. Agora as mulheres se sentem mais à vontade para dizer que jogam e têm orgulho disso”, afirma.
Comunidades de apoio contra a toxicidade
Se por um lado a inclusão avança, por outro persistem episódios de assédio on-line, lembrando o clima hostil que ganhou holofotes no movimento GamerGate há uma década. O coletivo Black Girl Gamers surgiu justamente para enfrentar esse cenário. Criado em 2015 como um pequeno grupo no Facebook, reúne hoje mais de 10 mil mulheres negras ao redor do mundo.
Imagem: bbc.com
Membro da comunidade, Iesha conta que só descobriu outras jogadoras negras quando entrou no grupo. “Quando era mais nova, achava que era exceção”, diz. A amizade com Deanne, outra integrante, começou em partidas na internet e se fortaleceu fora das telas; a afinidade foi tanta que o primeiro encontro presencial “pareceu totalmente natural”, relataram à BBC.
O espaço também funciona como refúgio emocional. Iesha recorda ter encontrado conforto nos jogos em momentos de luto familiar. “Muitos títulos permitem explorar sentimentos de forma suave, e saber que outras pessoas estão passando por algo parecido faz diferença”, comenta.
Adaobi, outra participante, relata situações frequentes de misoginia e racismo em partidas públicas. Para lidar com o problema, alterna entre rebater os ofensores – “Façam melhor”, costuma dizer – e usar o servidor privado de “desabafo” criado pela comunidade no Discord, restrito a membros.
“Os games deixaram de ser uma experiência solitária para se tornar uma porta de entrada para conexões reais”, resume Deanne. A frase reflete um setor em que jogadoras, criadoras de conteúdo e coletivos femininos seguem ganhando visibilidade e pavimentando caminhos para novas vozes.
Com informações de BBC News
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