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O avanço das mudanças climáticas está levando um número crescente de produtores de vinho a lançar rótulos sem safra única, prática conhecida como non-vintage, para garantir consistência em aroma e sabor. A estratégia vem ganhando espaço especialmente em regiões expostas a ondas de calor, incêndios e eventos climáticos extremos.
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ToggleCalifórnia recorre ao corte entre anos
No Vale de Napa, Califórnia, o enólogo Chris Howell dirige a Cain Vineyard and Winery desde 1991 e afirma que os verões hoje são significativamente mais quentes do que quando assumiu o posto. “As ondas de calor sempre existiram, mas agora os picos chegam perto de 50 °C”, relata.
Em 2017, incêndios de grande intensidade atingiram a região durante a colheita. Para evitar que fumaça contaminasse o vinho, Howell utilizou apenas metade das uvas colhidas antes do fogo. O restante da produção daquele ano foi reservado para ser misturado à safra de 2018, resultando no tinto Cain Cuvée, já tradicionalmente elaborado com dois anos consecutivos.
Para o enólogo, combinar safras reduz o impacto de variações climáticas cada vez mais imprevisíveis. Apesar disso, ele reconhece que ainda persiste um estigma em torno dos vinhos tranquilos sem ano declarado, comumente associados a produtos de menor valor.
Inspiração no espumante influencia Itália
Enquanto os vinhos tranquilos quase sempre exibem o ano de produção, o universo dos espumantes, liderado pelo champanhe francês, é majoritariamente non-vintage. Inspirado nesse modelo, o empresário italiano Riccardo Pasqua, da Pasqua Vigneti e Cantine, no Vêneto, lançou em 2019 o branco Hey French, You Could Have Made This But You Didn’t, composto por cortes de até cinco safras de um mesmo vinhedo.
Segundo Pasqua, a intenção é apresentar a “melhor expressão” da propriedade, neutralizando efeitos de estiagens, geadas tardias e tempestades de granizo, condições que se tornaram mais frequentes no país. “Eventos extremos passaram do extraordinário ao ordinário”, afirma.
Imagem: bbc.com
Percepção do consumidor
A mestre em vinhos Dawn Davies classifica os compradores em três grupos. O público que paga até 15 libras (aproximadamente o mesmo valor em euros) raramente verifica a safra; especialistas e profissionais acolhem a ideia pela maior flexibilidade; já consumidores intermediários tendem a valorizar anos específicos e podem resistir à mudança.
Davies lembra ainda que a maior parte dos rótulos já é resultado de misturas de barris, parcelas ou vinhedos diferentes. “Se o vinho é naturalmente um corte, qual o problema em combinar anos distintos?”, questiona.
Com a intensificação dos fenômenos climáticos, produtores como Howell e Pasqua apostam que a aceitação de vinhos sem safra única deve crescer, quebrando o tabu em torno dos non-vintage tranquilos.
Com informações de BBC News
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