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Empresas brasileiras de papelcartão estão reduzindo a produção e adiando projetos de expansão diante do aumento de oferta no mercado interno e da escalada das importações, sobretudo da China e da Europa.
De janeiro a maio, a Papirus – uma das quatro maiores produtoras do segmento no país – deixou de operar o equivalente a 36 dias. Segundo o co-CEO Amando Varella, a decisão derrubou a rentabilidade e levou à suspensão da compra de uma nova máquina que elevaria a capacidade de 100 mil para 250 mil toneladas anuais. “A queda de preços fez o Ebitda recuar 32% no período”, afirmou. A ampliação prevista, de 150 mil toneladas, coincide com o volume de papelcartão que o setor projeta importar em 2025.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as importações de três códigos NCM somaram 87 mil toneladas no primeiro semestre. Entre 2020 e maio de 2025, entraram no país 780 mil toneladas – montante equivalente a um ano inteiro de vendas domésticas.
O fluxo externo ganhou força após a pandemia. A China ampliou a capacidade e passou a conviver com excedente de oferta, enquanto a Europa enfrenta queda de demanda desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Com a normalização da logística global, volumes desses mercados passaram a ser direcionados para a América do Sul, em especial para o Brasil.
Pressão interna
Além da concorrência externa, o início da operação da Máquina de Papel 28 (MP28) da Klabin, em Ortigueira (PR), em junho de 2023, acrescentou 460 mil toneladas anuais de diversos papéis – entre eles cartão branco, marrom e kraftliner – ao mercado doméstico. A companhia estima produzir 402 mil toneladas na MP28 em 2025, sem divulgar a divisão entre cartão e kraftliner.
Na divulgação de resultados do segundo trimestre, o diretor-geral da Klabin, Cristiano Teixeira, reconheceu a “invasão” de produtos chineses do tipo folding, mas ressaltou que esse material tem qualidade inferior ao fabricado pela empresa. Aproximadamente 80% do papelcartão da Klabin destinam-se a embalagens de líquidos, segmento de maior valor agregado.
Imagem: valor.globo.com
Debate tarifário
Diante do cenário, os principais fabricantes e a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) pediram ao governo a elevação da tarifa de importação de 12,4% para 25% em três categorias de papelcartão. O Ministério da Economia autorizou um aumento menor, para 16,5%, e apenas em duas NCMs, com validade até outubro deste ano. Para Varella, a medida foi insuficiente e estimulou o redirecionamento de mercadorias para códigos com alíquota menor. Ele acrescenta que o preço médio de importação em 2024 ficou abaixo do registrado em 2023.
A Ibema, terceira maior fabricante do país, também sente a pressão. A companhia abriu escritório em Miami em 2024 para ampliar as vendas a Estados Unidos, Canadá, México, América Central e Caribe, mas o “tarifaço” anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, dificultou o plano. “A tarifa compromete nossa competitividade”, declarou o diretor financeiro, William Bauer.
Com a proximidade do fim do prazo da alíquota atual, a Ibá apresentou nova proposta ao governo: elevar a taxa para 35% e incluir o terceiro código NCM. José Carlos da Fonseca, presidente-executivo da Empapel e diretor de relações internacionais da Ibá, afirmou que empresas de médio porte já cogitam paradas de produção e férias coletivas. Reuniões com autoridades estão em andamento, sem previsão de decisão.
Com informações de Valor Econômico
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