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O mês que começou com vendas boas pode terminar com um buraco no caixa — e a culpa pode ser uma regra nova sobre como entradas e saídas do MEI devem ser registradas no fluxo mensal. Se você é MEI e ainda não ajustou seu controle, está correndo risco de falta de capital, juros em empréstimos e decisões de emergência que queimam lucro. Vamos direto ao ponto: o que mudou e o que você precisa fazer já para manter o negócio respirando.
O que Mudou — E por que Isso Quebra Planilhas Antigas
A principal alteração exige que receitas antecipadas e estornos sejam lançados de forma separada das entradas operacionais. Na prática, isso significa que o dinheiro que você recebia e registrava como “caixa” agora pode precisar ficar como passivo até o serviço ser concluído. Resultado: sua linha de caixa livre encolhe sem que você note. Muitos MEIs continuam usando o mesmo modelo de planilha, o que cria uma ilusão perigosa de liquidez.
Como Enxergar Imediatamente o Impacto no Seu Fluxo
Abra a planilha do mês e compare duas colunas: “entradas contabilizadas” vs “entradas liberadas para uso”. Você verá a diferença numérica e emocional — é como comparar saldo no app do banco com saldo que você pode realmente gastar. Se a diferença for maior que 15% do faturamento mensal, é sinal vermelho.
- Receitas antecipadas (ex.: assinaturas) que não podem ser consideradas disponíveis;
- Estornos e cancelamentos que devem reduzir o caixa previsto;
- Parcelamentos de clientes que entram como contas a receber, não como caixa.
Quais Ajustes Práticos Fazer Ainda Hoje
Três ações rápidas que reduzem choque de capital: (1) separar contas “caixa disponível” e “caixa retido”; (2) rever prazos de cobrança e negociação com fornecedores; (3) criar reserva mínima equivalente a 20% do custo fixo mensal. Não é mágico — é disciplina. Se você usa sistema de cobrança automática, configure a classificação correta para receitas antecipadas.
Erros Comuns que Estão Causando Falta de Capital
Empreendedores continuam cometendo deslizes simples que custam caro.
- Confundir receita lançada com receita disponível;
- Não atualizar termos de pagamento ao vender por assinatura;
- Deixar de registrar estornos e chargebacks imediatamente;
- Usar capital do negócio para despesas pessoais sem controle.
Evitar esses erros é a forma mais barata de reduzir risco financeiro.
Comparação que Clareia: Antes Vs Depois da Regra
Antes: você lançava todas as cobranças como entrada imediata e planejava gastos com base nisso. Depois: parte dessas cobranças deve ser tratada como passivo até o serviço ser prestado. A diferença não é só contábil — é operacional. Expectativa: mais caixa; Realidade: menos caixa disponível. Essa mudança obriga a repensar investimentos imediatos e renegociar prazos.
Mini-história: Quando o Caixa Iludido Virou Dor de Cabeça
Um entregador por aplicativo, MEI, teve um mês de vendas recorde e comprou um equipamento caro antecipando crescimento. Dois dias depois, clientes pediram reembolso por serviços não concretizados e parte do recebimento foi retida. Resultado: sem capital para pagar fornecedor, ele precisou parcelar a compra com juros altos. Em vez de crescer, o negócio acumulou dívida. Esse cenário é comum quando regras sobre entradas e saídas não são aplicadas no controle.
Como Negociar com Bancos e Fornecedores sem Perder Margem
Quando seu caixa projetado encolhe, a primeira reação é correr para o crédito — não faça isso sem preparar negociação. Leve um fluxo de caixa ajustado (com receitas retidas separadas) e proponha parcelamento que alinhe com recebíveis. Bancos respondem melhor a números claros do que a pedidos vagos. Antecipe-se: peça carência curta e juros fixos, ou negocie descontos por pagamento à vista quando houver caixa realmente disponível.
Segundo dados do Banco Central, controle de liquidez é a principal causa de sobrevivência de pequenos negócios; e a Plataforma do Governo para Microempreendedor traz orientações sobre registro de receitas e obrigações do MEI. Use essas fontes para alinhar seu processo com regulamentação e melhores práticas.
Fechar uma conta a mais no papel não resolve se você não mudar decisões diárias. A regra nova é um convite a ver o caixa com honestidade brutal — quem aceitar essa realidade rápido terá vantagem competitiva. Qual será sua próxima decisão?
Como Identificar se uma Entrada Deve Ser Considerada Disponível ou Retida?
Verifique o contrato de venda: se há obrigação de entrega futura ou possibilidade de estorno, a entrada deve ir para “receitas a receber” ou “receitas retidas” até o evento ser concluído. Olhe também para a forma de pagamento: cobranças por assinatura e cartões com disputa (chargeback) exigem classificação diferente. Mapeie prazos contratuais, politicas de cancelamento e tempo médio de disputa para decidir quando a entrada vira caixa disponível. Registre tudo com data e justificativa.
Quanto Preciso Ter como Reserva Mínima com a Nova Regra em Vigor?
Recomendo uma reserva equivalente a pelo menos 20% dos custos fixos mensais, ajustada pelo perfil do seu negócio; para operações sazonais ou com alta rotatividade de estornos, considere 30–40%. Essa reserva funciona como colchão para cobrir discrepâncias entre entradas contabilizadas e entradas liberadas. O objetivo é evitar recorrer a crédito com juros altos para cobrir diferença temporária. Revise esse percentual a cada trimestre conforme comportamento real do caixa.
Posso Automatizar Essa Separação no Meu Sistema de Gestão?
Sim. A maioria dos ERPs simples e plataformas de cobrança permite classificar receitas por tipo (disponível, retida, a receber). Configure regras automáticas: por exemplo, cobranças recorrentes entram como “retidas” até confirmação de prestação, enquanto vendas à vista entram como “disponíveis”. Teste o fluxo com lançamentos simulados por um mês antes de confiar 100% na automação e monitore relatórios diários para evitar surpresas.
Se Eu Tiver que Buscar Crédito, como Reduzir o Custo dos Juros?
Apresente projeção de fluxo de caixa ajustada (com receitas retidas separadas), histórico de recebíveis e plano de pagamento claro ao banco ou fintech. Peça carência curta e ofereça garantias operacionais, como acordo de desconto em recebíveis. Negocie taxas fixas e evite rotativos. Em alguns casos, negociar com fornecedores prazos estendidos é mais barato do que empréstimo. Transparência e números organizados reduzem percepção de risco e, portanto, o custo do crédito.
Como Comunicar Essas Mudanças a Clientes sem Perder Vendas?
Se precisar alterar política de cobrança ou prazos, comunique com clareza: explique o motivo (garantir entrega e sustentabilidade) e ofereça alternativas — desconto à vista, parcelamento sem juros ou trial gratuito com cobrança após confirmação. Use linguagem simples e foque no benefício mútuo. Clientes geralmente aceitam mudanças quando percebem que isso melhora serviço e reduz risco de falhas. Teste mudanças em uma pequena base antes de implementar para todos.
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