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Especialistas veem pessimismo excessivo com Fiagros e apontam governança como chave para retomada

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A avaliação de que o mercado foi duro demais com os Fiagros dominou os debates do XP Agro Insights, realizado na terça-feira (26). Participantes do encontro afirmaram que a combinação de diversificação, governança e transparência é essencial para recuperar a confiança abalada pelas recuperações judiciais de empresas do agronegócio desde o ano passado.

De 2020 a 2022, período de criação dos Fiagros, o cenário era de expansão e alto nível de alavancagem. A partir daí, quebras de safra, custos maiores e juros elevados mudaram o ciclo. O resultado foi um aumento de 138% nos pedidos de recuperação judicial entre 2023 e 2024, lembrou o painel.

Mesmo assim, o head de Fundos Listados do Research da XP, Marx Gonçalves, classificou o pessimismo como exagerado. Segundo ele, os fundos agro já entregam retorno médio de 22%, após desempenho inferior aos fundos imobiliários no ano passado, e contam com “valuation” atrativo e carteiras de crédito saudáveis.

Diversificação e transparência

Para os especialistas, a recente turbulência ajudou a separar empresas sólidas de operações mais frágeis. A segurança do investidor, disseram, exige governança robusta, pulverização geográfica e de culturas, além de relatórios claros dos gestores.

Como exemplo de resiliência, a diretora de Relações com Investidores da JBS, Christiane Assis, destacou a atuação da companhia em mais de 17 países, exportação para 180 mercados, receita agregada de US$ 8 bilhões e margem Ebitda de 18%. Ela ressaltou ainda a correlação negativa entre as carnes bovina e de frango, lembrando que a demanda global por frango segue forte.

Na Cocal, produtora de açúcar e etanol, a possibilidade de mudar o mix de produção conforme o preço das commodities é vista como amortecedor de riscos, afirmou o diretor administrativo e financeiro, Ailton Santos. A empresa possui terras próprias, atua também na distribuição de veículos e investe em biometano: 7% da frota deve operar com o combustível neste ano, e cerca de um terço dos caminhões que levam açúcar ao porto já utilizam a energia, reduzindo custos logísticos.

Para o CEO da Agriconnection, Flavio Mata, conhecer profundamente o produtor é indispensável. “Quer ver o leão? Vá à selva, não ao zoológico”, brincou, explicando que o crédito no ciclo atual passou a considerar geração de caixa, e não apenas patrimônio.

O consenso no evento foi que a boa governança e a ampliação da transparência podem acelerar a recuperação da imagem dos Fiagros, hoje vistos pelos participantes como instrumentos ainda promissores de financiamento ao agronegócio.

Com informações de InfoMoney

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