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Desregulamentação de Milei reduz preço da erva-mate e pressiona produtores na Argentina

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A decisão do presidente argentino Javier Milei de suspender os controles oficiais de preços da erva-mate provocou uma queda expressiva na remuneração dos produtores do setor, concentrados nas províncias de Misiones e Corrientes.

Na manhã desta segunda-feira (26), a produtora Liliana Bayura recebeu 180 pesos argentinos – cerca de US$ 0,13 – por quilo de folhas frescas colhidas na fazenda da família, em Los Helechos, Misiones. O valor representa recuo de 20 pesos em relação ao dia anterior e está bem abaixo dos 250 pesos pagos em dezembro de 2023, quando Milei tomou posse.

Medidas após a posse

Dez dias depois de assumir o governo, em dezembro de 2023, Milei limitou os poderes do Instituto Nacional da Yerba Mate (INYM), órgão que fixava preços mínimos para a matéria-prima. Meses depois, acabou também o congelamento de preços nos supermercados. As ações integram um pacote de mais de 670 desregulamentações listadas pelo Instituto Cato durante o primeiro ano de gestão.

Efeitos na cadeia produtiva

A Argentina conta com cerca de 10 mil produtores de erva-mate. Desde o fim dos controles, o mercado passou a definir os valores:

  • Março de 2024: pico próximo de 400 pesos por quilo na primeira safra pós-desregulamentação;
  • Julho de 2025: preço médio de aproximadamente 260 pesos;
  • No mesmo intervalo, a inflação acumulada alcançou quase 100%.

No campo, a combinação de preços menores e custos crescentes tem reduzido a margem de agricultores como Bayura. “Esta é nossa única fonte de renda. Se pararmos, não comemos”, afirmou a produtora.

Colheita recorde e demanda interna

Em 2024, o país colheu 1,1 milhão de toneladas de erva-mate, maior volume já registrado e 27% acima de 2023, segundo o INYM. Diferentemente de commodities como soja e carne, o consumo da bebida – popularizada mundialmente pelo craque Lionel Messi – é majoritariamente doméstico. Mesmo assim, a demanda interna permanece ligeiramente abaixo dos níveis observados antes da posse de Milei.

Economistas favoráveis à desregulamentação apontam que a retirada de subsídios e tabelas de preços contribuiu para desacelerar a inflação, que chegou a beirar 300% ao ano antes do novo governo. Já pequenos produtores avaliam que a transição foi “brutal” para o setor historicamente protegido pelo Estado.

Com as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para outubro, o impacto das mudanças na renda das famílias rurais – base de apoio a Milei em 2023 – deverá ser posto à prova nas urnas.

Com informações de Valor Econômico

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